Para técnico do Iraque, que pega Brasil quinta, em Malmo, meia do Chelsea ganhará dinâmica: 'No Inter ficava 10, 15 minutos sem tocar na bola'
Daquele riscado do campo, Zico entendia como poucos nos tempos de jogador. Era o cara certo na época para fazer a ligação entre o meio-campo e o ataque. Na Seleção, herdou de Rivellino a lendária camisa 10 de Pelé, de 1979 até 1986. Hoje treinador do Iraque, rival do Brasil nesta quinta-feira, em amistoso em Malmo, na Suécia, às 15h30m (de Brasília), o Galinho terá a dor de cabeça de tentar conter os dois homens de criação de Mano Menezes. Tanto Kaká, camisa 10 na Copa do Mundo da África do Sul, quanto Oscar, o 10 dos últimos amistosos e das Olimpíadas de Londres, foram confirmados no time pentacampeão. E o agora "rival" Zico é só elogios para a dupla.
- Sempre fui favorável à volta de Kaká. Mano foi o treinador que teve maior dificuldade na Seleção. Não teve a sorte de ter uma base da última Copa do Mundo. De todos os treinadores, foi o único que não teve legado nenhum. O de 1998 tirou um pouco para 2002. O de 2002 tirou um pouco para 2006. O de 2006 tirou um pouco para 2010... Mas de 2010 para 2014, acabou. Então, esses caras, Kaká, Robinho, Luís Fabiano, Lúcio, Maicon, Julio César, todos eles, que estavam no auge, fizeram isso... (faz um gesto com a mão de queda). E não sobrou ninguém. Ele tentou uma vez o Kaká, mas não teve continuidade. Não é fácil você perder uma espinha dorsal e ter que fazer outra. A volta do Kaká será muito boa.
Zico lembra ainda que, da Copa de 2010, sobraram Daniel Alves, curinga não considerado titular de Dunga, Thiago Silva, reserva, e Ramires, titular mas não absoluto. Por isso, segundo o Galinho, Mano Menezes precisou fazer uma Seleção nova, de jovens.
- Ele ainda foi beneficiado por esses garotos poderem disputar Olimpíadas, de qualquer maneira mantém uma base. Mas seleção principal é diferente, né? Você não joga eliminatórias, não vai competir e com isso fica uma interrogação.
Oscar tem um tipo de futebol diferente: visão de campo, ótimo passe, técnica muito boa..."
Zico
A presença de Oscar como criador das jogadas de ataque ao lado de Kaká também é elogiada por Zico, que vê um futuro brilhante para o atual jogador do Chelsea, da Inglaterra.
- Oscar é uma das revelações do atual momento do futebol brasileiro. Foi melhor para ele ir lá para fora do que para o Neymar. O Neymar já está estabilizado aqui. A ida dele para a Europa não ia mudar muita coisa. Para o Oscar pode mudar muito. Ele tem um tipo de futebol diferente. Tomara que vá bem, virá com bagagem muito grande. Tem muita qualidade, visão de campo, ótimo passe, técnica muito boa. Vai ganhar dinâmica, velocidade... Aqui, às vezes ficava ausente. Lá no Chelsea terá que participar sempre. No Inter ficava 10, 15 minutos sem tocar na bola. Não é o caso do Neymar, nem do Lucas.
O Galinho acha que o amistoso com o Brasil será válido para o Iraque, que disputa as eliminatórias da Ásia para a Copa de 2014 e briga por uma das duas vagas do Grupo B. O Galinho só não quer que o time passe por um vexame. Depois do amistoso contra o Brasil, terá pela frente a Austrália, adversário direto.
- É bom enfrentar esses caras, não vale nada. Para mim, é crescimento. Não estava na hora... Queria até escocês, irlandês, mais pesados. A Austrália, que a gente vai enfrentar, é um time muito pesado. Agora, Brasil é Brasil. Estou há um ano jogando contra Botswana, Serra Leoa, primeira divisão coreana, Líbano, Egito, não peguei uma seleção europeia. Agora vou pegar o Brasil logo de cara. Só não quero fazer o vexame que a China fez, pra não perder moral para o próximo jogo. Quero aprender, melhorar - disse Zico, lembrando a derrota da China para os comandados de Mano por 8 a 0.
Na opinião do técnico do Iraque, o Brasil só marcou o jogo contra o Iraque porque não deve ter encontrado muitos adversários, principalmente da Europa, onde começaram as eliminatórias. O Galinho acha que o amistoso contra o líder do seu grupo, o Japão, na próxima terça, na Polônia, vai ser um bom teste.
- É a melhor seleção da Ásia, está jogando bem, veloz, com 12 jogadores no futebol europeu, e titulares. Na minha época, os jogadores estavam lá mas eram reservas. Chegavam três dias sem treinar. Era preferível não irem. Ritmo de jogo é tudo. Hoje, tem um títular do Inter, outro do Manchester, do Hamburgo... o time é forte. vai ser bom para o Brasil.
Enfrentar o Brasil, segundo Zico, não gera mais problemas emocionais. Depois do hino, a bola rola e fica tudo zerado. O atual técnico iraquiano tenta renovar sua equipe, que tem média de idade alta, acima dos 30 anos. E quando perguntado sobre quais jogadores poderiam atuar no futebol brasileiro, nem demorou para dar nome aos bois.
- Os jovens ainda são uma incógnita. mas dos mais velhos tem o número 5, Nashat. É típico jogador brasileiro. Tem 33 anos, enxerga tudo. O Younis, centroavante, que era do time do Juninho (Al Gharafa), foi durante dois anos o melhor jogador da Ásia, baita atacante, joga em qualquer time. Artilheiro nato. Só que eles já têm 33, 34 anos, Temos 14 jogadores nesta faixa etária. Estão na Seleção desde 2000, 2002. Estou renovando. Joguei agora contra o Japão com oito jogadores novos, sendo seis que nunca tinham atuado no primeiro time. Então, foi no peito e na raça. Eu falei: "Ou eu tomo uma goleada ou me consagro." Treinei esses caras durante 10 dias e botei-os numa condição física boa: Falei: "Vou com essa molecada." Os moleques comeram grama. Agora, falta aquela qualidade dos mais velhos. Tem que ter dois ou três. Mas se eu boto os caras tomo de cinco ou seis. Futebol agora é competitivo.
Fonte: Globo Esporte
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